Produtivismo acadêmico ou porquê devemos acabar com a "Capes"

O “produtivismo acadêmico” é um tema quente. Praticamente todo professor/pesquisador tem uma opinião sobre ele.  Existem vários textos sobre o assunto alguns inclusive listados nesse post "Produtivismo Acadêmico". Apesar de existirem diversas críticas ao atual sistema, poucos parecem desvelar a real causa do produtivismo já que ele é apenas o "sintoma" do real problema. Claro, que sou apenas um recém mestre com algumas leituras sobre o assunto e não tenho intenção nenhuma em impor minha opinião para ninguém.

De modo geral, a questão do produtivismo acadêmico é tida como resultante de uma mudança sistêmica na qual o "capitalismo" subvertendo os "princípios" da "ciência", tem levado a competição e ao “imediatismo” cada vez maior da produção acadêmica. De maneira complementar, alguns apontam que a transposição dos "conhecimentos" da administração como "produtividade e eficiência" no âmbito da esfera empresarial para a esfera pública como uma causa desse "problema sistêmico". Realmente, a administração contribui para esse "fenômeno", mas não em função da "produtividade e eficiência" e sim através do "planejamento estratégico".

Para começar a minha análise gostaria de trazer uma pequena estória contada por Stigler citada no excelente texto sobre o assunto de Barbieri (2009).
Na tentativa de desenhar mecanismos que aumentem a produtividade nas universidades, Stigler (1987) nos fala de um jovem reitor de uma universidade sul-americana que decretou que os professores poderia desafiar outros com um cargo imediatamente superior aos seus em exames competitivos, cuja banca seria composta de professores americanos. Caso ganhasse, o professor trocaria de posto e salário com o perdedor. Ocorreu então uma corrida à biblioteca e professores mais velhos anteciparam a aposentadoria. Porém, surgiu o fenômeno de entesouramento do conhecimento: os especialistas não discutiam com pessoas que soubessem menos que eles e ensinavam assuntos irrelevantes em seus cursos, com medo de perder o cargo. Diante dessa distorção, o reitor passou a conferir 5 pontos (máximo de 100) para o professor cujo aluno vencesse um desafio. Um certo professor foi vencido por 7 alunos, mas manteve o cargo pelos 35 pontos conquistados... Os cursos de pós-graduação ficaram vazios, pois os candidatos foram estudar nos EUA, terra dos examinadores.  De fato, brilhantes professores foram substituídos por alunos que fizeram cursos com examinadores. Além disso, a atividade de pesquisa cessou e todos se concentravam nos estudos para os exames. Diante disso, o reitor conferiu 2 pontos por artigo e 7 por livro produzido.  Os professores passaram a preferir preparar um aluno bom por ano (5 pontos) a produzir um livro que demora 3 anos. Outro publicou como artigos os 19 capítulos do seu livro, enquanto outro publicou uma transcrição de conferências.
O trecho acima, embora caricato, ajuda na compreensão do produtivismo acadêmico. O primeiro ponto que quero destacar é um traço cultural brasileiro, o Formalismo, e, consequentemente, a importância do Estado brasileiro na indução mudanças e modernização da sociedade (GUERREIRO RAMOS, 1983, MACHADO-DA-SILVA ET AL 2003). Obviamente, que a condução e o estímulo da pós-graduação só poderiam ter sido realizados aqui através do Estado. Contudo, por mais que o "planejamento" possa ser realizado "com a melhor das intenções", como no caso acima, os atores sociais podem sempre agir de um modo pelo qual não é o esperado.

O atual sistema de pós-graduação no Brasil é um sistema de competição regulada, isto é, um sistema no qual um "player central", no caso a Capes, estabelece unilateralmente padrões de e induz competição entre os jogadores. Contudo, como demonstra Barbieri (2009), com base na escola austríaca de economia,

Um esquema de pontuação por produção acadêmica não simula incentivos de mercado e competição, mas sim sua antítese, gerando burocracia e distorções. Isso ocorre na medida em que os critérios seletivos em um mercado genuíno - ponderações dos infinitos critérios seletivos levados em conta por todos os participantes do mercado de idéias - são muito mais complexos do que um critério seletivo planejado por um departamento central de educação, ou mesmo de forma mais descentralizada por um comitê universitário, de forma que os “preços relativos” resultantes (pontuação) são arbitrários e distorcidos. Em outros termos, o modelo de seleção artificial, usado não para explicar, mas sim para simular a competição, requer (a) critérios seletivos simplificados, alimentados por (b) dados objetivos sobre produção. Isso faz com que tenhamos, derivado de (a), “preços” distorcidos, pois não levam em conta a grande parte das informações descentralizadas em posse dos agentes e, derivado de (b), um processo de burocratização da pesquisa com a criação e coleta dos dados “objetivos”. Essa estrutura de incentivos leva à busca de indicadores de produção acadêmicas e não necessariamente à coisa em si. Temos assim um “planejamento central de idéias” e não um “mercado de idéias”
Sendo assim, qualquer mudança nos parâmetros do jogo só irá mudar o sintoma, uma vez que o problema continuará existindo, a saber: a centralização da Capes como agência reguladora e certificadora da pós-graduação, dos periódicos e dos livros. O produtivismo só tem possibilidade de acabar quando a Capes deixar de possuir esse papel.
ATENÇÃO: Se você pensou: Essa cara é louco! Talvez, não seja recomendável você continuar a leitura desse post.
Você deve estar se perguntando: Mas se a Capes acabar a pós-graduação não iria virar uma bagunça?

Pode ser que sim, mas pode ser que não. Depende da reação dos atores sociais que continuamente (re)produzem a pós-graduação no Brasil. Provavelmente, a quantidade de programas de pós-graduação iria aumentar já que bastaria um grupo de professores interessados para que isso acontecesse. Também, poderiam surgir vários programas "picaretas". Entretanto, os professores-pesquisadores poderiam definir dentro da própria instituição (universidade) as regras do seu jogo. Se irá existir algum padrão de produção desejado, quanto tempo para cada artigo etc. Se um grupo de professores desejasse montar um programa de pós-graduação voltado exclusivamente para docência ele poderia. Se desejasse um programa multidisciplinar poderiam. Se desejassem criar um programa de "alta" produtividade poderiam, focado em grandes inovações poderiam, focado na atuação social do pesquisador poderiam. Com o passar do tempo alguns padrões de organização tenderiam a se sobressair e ser copiados por programas "em formação".

Mas quem iria avaliar esses programas distintos se não temos mais a Capes?

Os programas seriam avaliados pela comunidade científica, isto é, pelos próprios pesquisadores. Com o passar do tempo os "bons programas" se destacariam ganhando reputação entre a comunidade. Veja coloquei "bons" entre aspas justamente pelos diferentes critérios poderiam ser utilizados na avaliação. Vale ressaltar, que a ausência de uma regulação central e coercitiva não implica na necessariamente na inexistência de regras estabelecidas voluntariamente entre programas de pós-graduação e/ou professores-pesquisadores. Por exemplo, a Anpad poderia estabelecer (ou não) alguns critérios de avaliação e "estratificação" dos cursos, assim como a Anpec, a Anped e Associações Científicas.

Mas quem garantiria a qualidade e estrutura desses programas?

Diferentemente do que muitos imaginam os bons "recursos humanos" são escassos. A quem não goste do termo recursos humanos, mas usarei mesmo assim. Bons professores e pesquisadores e bons alunos são recursos escassos. Para conseguir atrair esses recursos os programas precisariam ser realmente administrados, se será por líder centralizador ou democraticamente, isso não importa. O que importa é que os programas de pós-graduação teriam no longo prazo que se reinventarem constantemente já que tanto professor-pesquisador quanto o aluno escolheriam o programa que tenha uma orientação mais parecida com a sua.

Mas isso não iria gerar competição?

Sim. Os programas iriam competir pelos melhores professores e alunos. Da mesma maneira, que, possivelmente, competiriam por recursos financeiros. Mas a ciência não é movida pela competição e sim pela curiosidade dos pesquisadores, você deve estar remoendo... Contudo, a curiosidade de um grupo de pesquisadores pode ser consideravelmente elevada. Além disso, recursos financeiros também são escassos. Diferentemente do que muitos acreditam, para que qualquer investimento seja realizado é preciso que exista poupança. Dessa forma, os recursos de qualquer origem são escassos, por isso, nada mais justo que o dono desses recursos escolha o critério desejado de alocação.  Sendo assim, as agências de fomento estabeleceriam os critérios que julgassem adequados para distribuição dos recursos. Que poderia até serem os critérios de produtividade atual. Contudo, cabe ao professor-pesquisador decidir se aceita ou não se submeter à avaliação desses critérios para o acesso a recursos ou se busca fonte alternativas de financiamento na iniciativa privada. Nos casos das bolas de mestrado e doutorado funcionaria da mesma forma.

Mas o Estado investe apenas uma pequena parcela do PIB em Ciência e Tecnologia deveríamos brigar mais por verbas para ciência assim daria para todo mundo e ao invés da competição teríamos uma situação de solidariedade!

Sinceramente, a solidariedade com recursos financeiros pode muito bem acontecer dentro de um sistema de competição desde que o professor-pesquisador deseje fazer isso. Sou totalmente contrário contra qualquer tipo de roubo. Além dos atuais recursos financeiros vindos da esfera pública, um sistema desses poderia se tornar mais atrativo para investimentos da iniciativa privada, quase inexistente no Brasil.

Uma última questão que gostaria de trazer é que nesse cenário o professor-pesquisador tem total liberdade de escolher qual temática pesquisar, qual o ritmo de trabalho adequado, a maneira mais adequada de publicar os seus resultados, quais congressos participar etc. A sua liberdade acadêmica estaria completamente garantida.

Por fim, quero deixar claro que em nenhum momento eu desejei, e nem poderia, estabelecer um modelo de como deveria ser a pós-graduação, apenas demonstrei o que possivelmente poderia acontecer se não possuíssemos a regulação da Capes. Basicamente, quatro vantagens poderiam ser apontadas.

1) Avaliação da pesquisa e do pesquisador seria feita exclusivamente pelos seus pares.
2) Os programas de pós-graduação teriam liberdade para se organizarem do modo que lhe convir
3) Maior pluralismo de ideias
4) Cada professor-pesquisador trabalharia respeitando o seu ritmo.

Em tempo, no último número da Cadernos Ebape foi publicado a opinião de alguns professores-pesquisadores sobre o assunto. Você pode conferir os artigos clicando nos títulos abaixo.




Então é isso, até a próxima.
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Referências

MACHADO-DA-SILVA, C. et al. Institucionalização da mudança na sociedade brasileira: o papel do formalismo. In: Marcelo Milano Falcão Vieira; Cristina Amélia Carvalho. (Org.). Organizações, instituições e poder no Brasil. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003, p. 179-202.

GUERREIRO RAMOS, A. Administração e contexto brasileiro: esboço de uma teoria geral da administração. Rio de Janeiro: FGV, 1983.

Produtivismo Acadêmico


No post anterior rolou uma discussão interessante sobre “as origens” do produtivismo acadêmico. Por isso, resolvi agregar alguns textos (entre artigos e notícias) sobre o tema nesse post.  Ao final da lista você encontra o vídeo do debate: Produtivismo: a que veio? E para quem serve? Promovido pela Adusp (Associação de Docentes da Universidade de São Paulo)






Qual sua opinião sobre o assunto?

Então é isso, até próxima.

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A graduação e a pós-graduação em Administração no Brasil

O tema do post de hoje foi uma dica do amigo Samir Oliveira e trata do atual estado da graduação e pós-graduação em administração no Brasil.

Na última edição da Organização e Sociedade foram publicados dois documentos para instigar o debate sobre a graduação e a pós-graduação em administração no Brasil. Dentre os dois textos, a pensata Academia e a Fábrica de Sardinhas do Rafael Acadipani me pareceu mais interessante por tentar fazer um panorama tanto da graduação como da pós-graduação em administração. Abaixo, destaco dois pontos:

O autor deste artigo, em conjunto com Ricardo Bresler, advertiu em 1999 que as faculdades e universidades brasileiras passavam por um nítido processo de McDonaldização. Cursos enlatados, o esvaziamento da reflexão, os ataques à liberdade acadêmica, a busca por ensinar aquilo que supostamente funciona, o uso desenfreado de apostilas, a transformação do aluno em cliente, a difusão de formas de avaliação de desempenho de professores similares a de empresas e a quantificação da produção acadêmica já eram traços do ensino superior brasileiro em 1999. De lá para cá, a situação apenas se agravou. A academia está prestes a virar fast-food. O modelo gerencial passou a ser visto como a solução para os problemas das organizações educacionais. Começou-se a desenvolver avaliações de desempenho de professores que mimetizam os processos de avaliação de executivos, os planos de carreira estão cada vez mais próximos ao de empresas, os alunos passaram a ser vistos como clientes e os cursos como produtos. (ALCADIPANI, p.346, 2011)

Outro problema grave é que na lógica gerencial-empresarial o que vale é a produtividade mensurada por números. No Brasil, produção acadêmica se transformou em sinônimo de fazer pontos. Balizada pela tabela de pontuação de produção acadêmica da CAPES, o trabalho de pesquisa tem sido medido pela quantidade de pontos que o professor consegue fazer por ano. Assim, a lógica está cada vez mais em produzir o máximo possível de artigos para fazer o máximo de pontos. Rankings com nomes e pontos de professores são produzidos e distribuídos nas secretarias dos programas de pós-graduação em todo o país. (ALCADIPANI, p.347, 2011)

Concordo com o Rafael Alcadipani quanto aos problemas da graduação em administração. Entretanto, sobre a pós-graduação concordo apenas com a sua conclusão de que um novo modelo de avaliação é preciso, pois não consigo visualizar a conexão entre o gerencialismo empresarial e a necessidade de produção de artigos.

O outro texto, O Campo Turbulento da Produção Acadêmica e a Importância da Rebeldia Competente, é de autoria de Peter Kevin Spink e Mário Aquino Alves.

Você pode encontrar outros textos discutindo a produção acadêmica brasileira em outras áreas nos seguintes blogs: Questões da Ciência, Metodologia da Ciência da Informação e Blog Ciência Brasil.

E você o que acha sobre a situação da graduação e da pós-graduação em Administração no Brasil? Deixe o seu comentário.

Então é isso, até próxima.

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Clóvis Luiz Machado-da-Silva: uma homenagem

Hoje, 26/06/ 2011, o Administração e Organização presta uma homenagem ao professor Clóvis Luiz Machado-da-Silva que completa um ano de falecimento.

Muito já foi dito sobre a importância do pesquisador Clóvis para construção da área de Administração, como por exemplo, o Editorial da Rac Especial, escrito pela Valéria Fonseca orientanda e parceira de longa data do Clóvis, da nota da RAE, escrita por Carlos Bertero, a nota do Observatório da Realidade Organizacional, um interessante editorial escrito pelo professor Chalres Kirschbaum e também os depoimentos do José Pinho e da Tânia Fischer. Como já mencionei aqui anteriormente eu fui o seu último orientando oficial de mestrado. Muito embora nossa relação tenha sido curta, o professor Clóvis ficou para mim como um exemplo de acadêmico sério e rigoroso.

Minha homenagem, diferentemente daquelas que citei acima, retrata um Clóvis  um pouco mais compreensivo em sala de aula do que há dez anos atrás.  Embora o professor Clóvis se mantivesse sério na maior parte das aulas, ele sabia deixar a aula um pouco mais light com as suas histórias sobre carros, vinhos ou viagens. Contudo, a sua principal "traquinagem" durante a disciplina, em minha opinião, foi trancar metade da turma para fora da sala, no primeiro dia de apresentações dos seminários. Como o professor Clóvis não era muito pontual para iniciar a aula, mesmo quando chegava mais cedo na UFPR, a turma com o passar das semanas foi se acomodando e chegando cada vez mais tarde. Até que nesta terça feira ele chegou cinco minutos mais cedo e às nove horas em ponto trancou a porta e deu início a aula. Quando um "aluno atrasado" chegava e tentava abrir a porta trancada, ele levantava e ia (com um sorriso daqueles de quem está "sacaneando" os outros) em direção a porta. Ao abrir a porta (já com uma cara fechada e de poucos amigos) ele perguntava: "Isso são horas? Está atrasado". Claro que na terça-feira seguinte todos chegaram no horário, exceto ele. Isso aconteceu durante a disciplina de Teoria das Organizações durante o primeiro semestre de 2009 na Universidade Federal do Paraná.

Mas como o Administração e Organização é um blog acadêmico sério, mesmo em uma homenagem ele não poderia deixar de disponibilizar alguma informação. Por isso, após a pequena galeria de foto, segue uma lista dos artigos (com seus respectivos links de acesso) publicados em periódicos pelo Dr. Clóvis Luiz Machado-da-Silva durante a sua brilhante carreira.

Publicações

SANTOS, L. G. A.; ROSSONI, L.; MACHADO-DA-SILVA, C. L.. Condicionantes Estruturais dos Relacionamentos Intraorganizacionais: uma análise da influência sobre relações de comunicação e decisão. RAM. Revista de Administração Mackenzie (Impresso), v. 12, p. 139-168, 2011.

MACHADO-DA-SILVA, C. L.; GUARIDO FILHO, E. R.; ROSSONI, L. Campos Organizacionais: Seis Diferentes Leituras e a Perspectiva da Estruturação. RAC. Revista de Administração Contemporânea (Impresso), v. 14, p. 109-147, 2010.

ROSSONI, L.; MACHADO-DA-SILVA, C. L.. Institucionalismo Organizacional e Práticas de Governança Corporativa. RAC. Revista de Administração Contemporânea (Impresso), v. 14, p. 173-198, 2010.

MACHADO-DA-SILVA, C. L.; FONSECA, V. S. . Estruturação da Estrutura Organizacional: o Caso de uma Empresa Familiar. RAC. Revista de Administração Contemporânea (Impresso), v. 14, p. 11-32, 2010.

MACHADO-DA-SILVA, C. L.; FONSECA, V. S.. Competitividade Organizacional: uma Tentativa de Reconstrução Analítica. RAC. Revista de Administração Contemporânea (Impresso), v. 14, p. 33-49, 2010.

FONSECA, V. S.; MACHADO-DA-SILVA, C. L.. Conversação entre Abordagens da Estratégia em Organizações: Escolha Estratégica, Cognição e Instituição. RAC. Revista de Administração Contemporânea (Impresso), v. 14, p. 51-75, 2010.

MACHADO-DA-SILVA, C. L.; FONSECA, V. S.; CRUBELLATE, J. M.. Estrutura, Agência e Interpretação: Elementos para uma Abordagem Recursiva do Processo de Institucionalização. RAC. Revista de Administração Contemporânea (Impresso), v. 14, p. 77-107, 2010.

GUARIDO FILHO, E. R.; MACHADO-DA-SILVA, C. L. ; GONÇALVES, S. A. . Organizational Institutionalism in the Academic Field in Brazil: Social Dynamics and Networks. RAC. Revista de Administração Contemporânea (Impresso), v. 14, p. 149-172, 2010.

ROSSONI, L.; GUARIDO FILHO, E. R.; MACHADO-DA-SILVA, C. L.. A Questão da Agência em Redes Acadêmicas de Pesquisa: Centralidade, Produtividade e Escolha Preferencial. Redes, Revista Hispana para el Análisis de Redes Sociales, v. 19, p. 95-121, 2010.


MACHADO-DA-SILVA, C. L.; WALTER, S. A.; CRUZ, A. P. C. Do Terroir à Globalização: Uma Análise Institucional com Base em Mondovino. Perspectivas Contemporâneas, v. 5, p. 22-50, 2010.

ANGONESE, R.; MACHADO-DA-SILVA, C. L. . Pressões Ambientais e Contexto de Referência de Organizações: A Indústria Brasileira de Cosméticos. Perspectivas Contemporâneas, v. 5, p. 267-295, 2010.

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GUARIDO FILHO, E. R.; MACHADO-DA-SILVA, C. L. . The development of institutional theory in the field of organization studies in Brazil. Cadernos EBAPE.BR (FGV), v. 8, p. 1-24, 2010.

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MACHADO-DA-SILVA, C. L.; FERNANDES, B. H. R.. Mudança Ambiental e Reorientação Estratégica: Estudo de Caso em Instituição Bancária. Revista de Administração de Empresas (FGV), São Paulo, v. 38, n. 4, p. 46-56, 1998.

DELLAGNELO, E. H. L.; MACHADO-DA-SILVA, C. L.; VIEIRA, M. M. F.. Ciclo de Vida, Controle e Tecnologia: Um Modelo para Análise das Organizações. O&S Organizações & Sociedade, Salvador, v. 5, n. 11, p. 77-104, 1998.

MACHADO-DA-SILVA, C. L.; FONSECA, V. S. Competitividade Organizacional: Uma Tentativa de Reconstrução Analítica. O&S Organizações & Sociedade, Salvador, v. 4, n. 6, p. 80-98, 1996.

MACHADO-DA-SILVA, C. L.; FONSECA, V. S. . Configuração Estrutural da Indústria Calçadista de Novo Hamburgo-Rs. O&S Organizações & Sociedade, Salvador, v. 2, n. 3, p. 67-119, 1994.

MACHADO-DA-SILVA, C. L.; FONSECA, V. S. . Estruturação da Estrutura Organizacional: O Caso de Uma Empresa Familiar. O&S Organizações & Sociedade, Salvador, v. 1, n. 1, p. 42-71, 1993.



Então é isso, até próxima.

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Os editores falam: Como fazer uma boa revisão! parte 1

Olá, este é o primeiro post na nova casa do blog Administração e Organização. Se você acompanha o blog via RSS ou por e-mail pode ficar tranqüilo. Para começar com o pé direito, o post de hoje traz a opinião de dois editores de periódicos internacionais na área de administração dizendo como realizar uma boa revisão de um artigo científico. Este post foi publicado originalmente no blog  Orgtheory.net e foi traduzido livremente por mim. Para conferir o texto original clique aqui. Como o texto original é bem longo o publicarei em pedaços. Confira abaixo a primeira parte.


Os editores falam: Como fazer uma boa revisão!

Uma das coisas mais importantes que fazemos como membros de uma comunidade intelectual é auxiliar na revisão por pares. Embora seja uma tarefa importante a revisão de textos recebe o mínimo de atenção na formação de pós-graduação. Nós certamente aprendemos como criticar na pós-graduação, mas, como você vai ver pelos comentários dos editores abaixo, criticar não é a mesma coisa que revisar. A maioria de nós aprendeu a ser um revisor simplesmente fazendo revisões. Embora um manual definitivo de como revisar um artigo seja impossível, achei que seria bom identificar algumas das melhores práticas em matéria de revisão da nossa área. A partir dessa ideia, solicitei a um pequeno número de editores e ex-editores de periódicos de teoria organizacional e de sociologia que comentassem sobre como fazer uma boa revisão. Este post relata esses comentários.

Você vai notar que os editores parecem concordar em vários pontos importantes (por exemplo, ser construtivo!), mas há alguma variação também. Alguns dos editores fazem apontamentos bem específicos e úteis sobre o que revisores devem e o que não devem recomendar em suas revisões. Em vez de resumir, eu vou deixar você ler por si mesmo. A ordem dos comentários não segue nenhuma lógica particular.

Diane Burton – senior editor, Organization Science

Antes de abordar os aspectos substantivos da revisão, eu gostaria de fazer alguns comentários sobre o processo de revisão.

(1)   "Por favor, responda os pedidos de revisão!". Eu não consigo dizer o quanto é frustrante ter o pedido de revisão ignorado. A coisa mais importante que eu faço como editora é identificar um conjunto de revisores, que inclua especialistas metodológicos e substantivos com alguma variação em termos de formação e experiência entre eles, para um determinado manuscrito. Peço a você para ser um revisor, pois acredito que você poderá desempenhar um importante papel no processo de revisão desse artigo. Em outras palavras, não é um processo automatizado e nem seu nome é escolhido em um sorteio aleatório. Sua decisão de revisar ou não é uma resposta a uma solicitação específica e deliberada do editor por você. Apesar de uma resposta positiva sempre ser preferível, todos nós entendemos que existem ocasiões em que você deve recusar uma solicitação de revisão. Porém, quando este for o caso, não hesite! Se você demorar em responder, você irá segurar todo o processo de revisão. Se você está demorando em dar a resposta para estender o tempo da revisão não o faça! É muito mais atencioso responder que sim e depois solicitar uma prorrogação. Se você tem de dizer “não”, tente em seguida dar sugestões de outras pessoas que possam ser apropriadas

(2)   "Por favor, não use a área de comentários confidenciais para fazer apontamentos teóricos ." A área de comentários confidenciais é um lugar para revelar que você já viu versões anteriores do artigo e / ou conhece a identidade do autor. É um lugar onde você pode explicar a sua abordagem na revisão e/ou a sua própria experiência. Talvez você não se sinta totalmente capaz de acompanhar a velocidade uma literatura particular ou de uma metodologia. Talvez você tenha encontrado uma teoria tão problemática que você não gastou tempo na análise do método (ou vice-versa). Esta é uma informação útil para o editor. A área de comentários confidenciais não é um lugar apropriado para dizer que você não compartilha a visão teórica do autor. Por favor, não use-o para expressar seus verdadeiros sentimentos sobre o manuscrito. Você coloca o editor em uma situação constrangedora quando realiza uma revisão construtiva com apenas comentários minimamente críticos do que você compartilha com o autor, mas envia uma avaliação quantitativa contundente e devastadora do artigo através dos comentários confidenciais.

Ok... agora, o que eu penso sobre uma boa revisão...

(1)   Boas revisões levam o manuscrito a sério e tentam dialogar com o autor(es) a partir da perspectiva que ele está falando. Comentários que sugerem ao autor uma pergunta diferente, que indica uma literatura diferente ou uma coleta diferente não são úteis a ninguém. Embora seja apropriado sugerir uma literatura que pode ter sido omitida, seja respeitoso nas orientações disciplinares que fizer ao autor.

(2)  Boas revisões ajudam o autor(es) a melhorar o trabalho. Revisões que destacam e se constroem a partir do que é bom em um trabalho são preferíveis do que aquelas que cortam o trabalho em partes. Na minha opinião, os revisores deveriam ser árbitros de “qualidade” antes que árbitros de “gosto”. Em vez de decidir se a pesquisa é interessante ou um “romance”, os revisores deveriam decidir se o trabalho é bem feito, se é um avanço sobre o que já foi publicado, e se precisa ser melhorado ou clarificado para ser tão convincente quanto é possível.

(3)  Boas revisões priorizam o feedback. Revisões que deixam claro quais comentários devem ser tratados e quais são as sugestões amigáveis ​​são melhores do que aquelas com listas de sugestões de “lavanderia” ou com um punhado de sugestões pela metade.

Michael Lounsbury – associate editor, Organization Studies; editor, Research in the Sociology of Organizations

O que faz uma revisão boa? Isso é difícil de definir devido ao contexto específico de cada revisão, porém realmente existem revisões que são melhores e algumas que são absolutamente pobres. Em sua maioria as boas revisões apresentam um balanço de feedbacks positivos, observações críticas e sugestões. É importante enfatizar que nas boas revisões os comentários críticos são seguidos de sugestões concretas de como melhor o artigo, tanto analiticamente como teoricamente. Também, enquanto os alunos da pós-graduação são treinados para identificarem os pontos fracos de um artigo (que freqüentemente são muitos), eu penso que bons revisores são capazes também de enxergam o que é particularmente valioso ou interessante em um artigo, e pensar em como fazer as “pedras preciosas” (mesmo que ocultas) aparecerem no artigo. A parte mais gratificante de ser um editor é ajudar os autores a desenvolveram sua contribuição para um artigo que tem uma grande contribuição teórica que é clara e pode repercutir em uma variedade de audiências. Ter boas revisões e revisores atentos que estão igualmente dispostos a tornar um artigo o melhor que ele pode ser é de um valor inestimável. Tenho em mente que a maior parte dos artigos é rejeitada na primeira submissão e até mesmo na segunda e terceira submissão. Diante deste estado do campo, é ainda mais importante ter boas revisões que não só destacam as falham fundamentais, mas que também oferecem incentivos e conselhos de como ir para frente com o artigo, quanto mais específico melhor.

Então é isso, até próxima.

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